"um marco na música instrumental"
Trocadilhos á parte, a musica instrumental no Brasil não seria a mesma sem a valiosa contribuição dessa grande figura que é Marcos Ariel, um cara que realiza seus trabalhos com entusiasmo e total afinco . Ele nos conta como vê o panorama da musica instrumental, seus trabalhos, sua carreira brilhante, Marcos Ariel faz parte de uma geração de músicos que certamente vieram pra ficar, não só pelo talento e compromisso com a musica , mas pela competência e dedicação, o que o torna uma referencia dentro do universo da musica instrumental desse País.
Aloizio Jordão - Marcos, é um prazer estar aqui com você e a primeira pergunta é a pergunta que faço para todos os nossos entrevistados: como Marcos Ariel descobriu a música?
Marcos Ariel - Na minha família somos seis irmãos, e meu pai foi um adepto da música, ele não era músico, mas ele conhecia música de você colocar uma sonata de Mozart e ele dizer o tom, o pianista que estava tocando, o movimento, o número da sonata... Ele tinha um conhecimento muito profundo e um ouvido musical muito grande, muito apurado. Então eu nasci nesse ambiente, de música, e comecei a estudar piano aos nove anos de idade... As minhas irmãs estudavam com uma professora da nossa rua, no Humaitá (eu nasci no Humaitá, na Rua Miguel Pereira) - antigamente todas as ruas tinham uma professora de piano e toda casa tinha um piano... Então eu gostei muito da história do piano e comecei a estudar com nove anos de idade... Foi o meu começo...
Aloizio Jordão - Você envereda, então, pelo estudo, mas quando você acontece no cenário musical?
Marcos Ariel - Olha, eu estudei piano clássico - meu pai só admitia música erudita, o que ele queria é que eu fosse um pianista erudito - então eu estudei música erudita até onze, doze anos. Com doze anos eu parei com o piano e comecei a ouvir os Beatles (que estavam começando), comecei a conhecer Rock, então eu ouvi muito Led Zeppellin, Jimi Rendrix, tinha coleção completa, e aí comecei a tocar guitarra, violão, e aí já com quinze, dezesseis anos fui ver "Novos Baianos", aqueles shows todos... Me lembro que aos dezessete anos eu voltei a estudar piano e comecei a estudar flauta, e fazia teatro também... Aí eu fui ver um show do Hermeto Paschoal, o primeiro show dele aqui, em 1972... E eu vi aquele show e fiquei maravilhado e aí caí mesmo dentro da música, me dedicando a estudar mais piano, flauta, passei por várias fases de estudo... Do rock voltei para o piano clássico, a flauta clássica, e depois fui para o choro, isso em 75, quando eu conheci o Zé Renato numa roda de choro aqui no "Cantinho da Fofoca", em Botafogo, onde tinha uma roda de choro muito boa aos domingos, foi inclusive uma volta do choro... E através do choro e do Hermeto que eu resolvi a optar pela música não erudita, foi o que me levou a querer tocar... Enfim... Então eu fiz o "Grupo Cantares", grupos de choro, comecei a profissionalmente a tocar flauta, toquei no Regional do Cartola em 78, formei meu grupo, o "Grupo Usina". O "Cantares" acabou em 79, toquei com a "Banda Black Rio", numa temporada de seis meses no Morro da Urca - naquela época o auge era o Morro da Urca... Ali, com o Cantares, eu abri um show do Hermeto, e aí começou... Em 79 eu gravei o "Bambu"...
Aloizio Jordão - Sim, o "Bambu" foi premiado...
Marcos Ariel -É, ele foi premiado com o Troféu Chiquinha Gonzaga - é uma produção independente e é um Troféu que foi criado pela Associação de Produtores Independentes. Esse disco foi lançado na França em 86 e agora, em 2004, ele está sendo lançado na Inglaterra pela "Wath Music", selo que está lançando vinis, trabalhos dos anos 70 em vinil...
Aloizio Jordão - Legal - inclusive eu tenho algumas coisas como "Terra de Índio" em vinil, e eu me pergunto porque até hoje não re-editaram...
De qualquer forma, depois disso, "Banda Zil"...
Marcos Ariel - Bom, o disco "Bambu" foi um dos primeiros trabalhos instrumentais que eu fiz e um dos primeiros dessa nossa geração de músicos. O Leo Gandelmam estava chegando da Berkley e o Zé Nogueira falou: "o Leo está chegando, é amigo meu, quer gravar?" E eu falei: sim, vamos gravar... "Bambu" foi um disco, assim, que foi todo mundo gravando - tem o Ricardo Silveira (tem a música dele), Zé Nogueira, Élcio Cáfaro, Wilson Meirelles na bateria, Armando Marçal na percussão, Marcelo Costa, e foi indo... A "Zil" foi uma história interessante que surgiu no Jazz Mania, num show do Zé Renato - foi surgindo um papo de fazer uma banda... O Zé Renato e o Cláudio Nucci eram do "Boca Livre", e o papo surgiu no Jazz Mania - eu não estava nesse papo, mas meu nome foi incluído - Ricardo Silveira, Zé Nogueira, Luiz Antonio (que era o dono do Jazz Mania), e daí é que surgiu a Zil. Foi um trabalho relâmpago, de um sucesso estrondoso, com sete músicos com sete histórias muito definidas... Então para juntar todo mundo foi difícil...
Aloizio Jordão - Vocês chegaram a fazer umas vinhetas para a Globo FM, não fizeram?
Marcos Ariel - Nós fizemos... Nós gravamos o disco que saiu aqui pela Continental em LP - aliás, saiu no mundo todo em CD, o disco da Banda Zil. Nós tocávamos nas Rádios, tocamos muito nas Rádios dos Estados Unidos...
Aloizio Jordão - Mas a Banda Zil não está re-editada em CD...
Marcos Ariel - Só fora - e atualmente isso não está mais em catálogo... Eu quando vou lá, num sebo, lá, sempre eu encontro e compro de onda...
Aloizio Jordão - Não se esqueça de mim - rs... Eu tenho...
Marcos Ariel - O Jurim tava sem o disco e eu presenteei ele...
Aloizio Jordão - Na verdade, quando eu ouvi pela primeira vez "Suíte gaúcha", que é uma música que eu gosto muito - tem um tempo de baixo ali muito interessante - enfim, eu gosto muito de ouvir "Suíte gaúcha", e como eu estava falando no princípio, eu lamento muito essa história de não re-editar... Como você está sentindo o momento da música instrumental no Brasil? O que mudou do final dos anos 80 para hoje?
Marcos Ariel - Olha, modéstia a parte, eu hoje olho para o que já fiz e acho que nós, da nossa geração, fizemos muito, num terreno muito árido... Nos anos 80, nós estávamos vindo do final da época áurea da Bossa Nova, dos "trios", da música instrumental, de quando floresceram todos aqueles trios... Eu ouvia aquilo muito - " Milton Banana Trio", "Zimbo Trio", "Tamba Trio"... Então começou, paralelo ao choro, que também é uma coisa muito forte, o choro é o primeiro estilo musical brasileiro, nasceu antes do jazz, inclusive... A base da música brasileira vem do choro, depois vem o samba. Assim como a base da música americana é o blues, a base do jazz. Então eu vejo é o seguinte: que nós viemos de um trabalho muito intenso - por exemplo, nós estávamos falando do Jazz Mania - fui eu quem inventei o nome, eu abri a casa, eu que convenci os sócios, os donos, que tinha que ter uma casa de música ali... Porque em 77, não sei se você se lembra, a gente fazia chorinho no Barril - "música que os músicos querem fazer"... Eu tenho isso tudo documentado, inclusive, em jornal - eu carregava as caixas de som com o Luiz Antonio, que era o dono - o pai dele é o sócio majoritário do Barril e daquele prédio todo... Daí que veio a nossa história, porque nós servimos CPOR juntos, Luiz Antonio e eu...
Aloizio Jordão - Você fez CPOR?
Marcos Ariel - CPOR em 74 - eu sou segundo tenente da reserva...
Aloizio Jordão - Rs... Acho que isso está em primeira mão... Ninguém sabe disso...
Marcos Ariel -É que eu servi exército naquela época, em 74, não consegui me livrar... Nesse serviço eu conheci o Luiz Antonio Cunha...
O nome "Jazz Mania" fui eu quem sugeri... Eu fui diretor musical da casa durante dois anos, sem ganhar nada, uma 'merrequinha', mas lutando pelo amor de fazer o negócio... Assim como o disco independente, incentivado pelo Antonio Adolfo... Então eu acho que a nossa geração fez muita coisa... Eu tocava no Aleph, um barzinho na Lagoa...
Os anos 80 foram anos muito férteis, a música instrumental floresceu, casas noturnas abriram, o Selo "Musicion", da Warner, o Free Jazz (eu toquei em 86, na segunda edição) - o Vitor Biglione tocou nesse ano, o Leo Gandelman, estava tudo fervendo, projetos, uma série de coisas... E no final dos anos 80, início dos 90, começaram a surgir convites para a gente sair do Brasil, para expandir nosso trabalho e naturalmente isso foi acontecendo, e nós começamos a ir... E aí começaram a surgir vários fatores - começou a não vir uma geração seguida a nossa... Você vê, nós estamos com uma faixa de 50 anos, e tem muito bom com 30, com 20 e poucos, mas perdeu-se o pique, estou sentindo que o pessoal não está fazendo o que a gente fez... Nós fizemos discos independentes, eu carreguei caixa nas costas para fazer shows, abrimos caminho mesmo...
Aloizio Jordão - Mas veja - você é de uma geração que tocava na rádio...
Marcos Ariel - Tocava na Rádio na programação normal...
Aloizio Jordão -É, na programação normal - não tinha nada institucionalizado como agora, que é muito complicado... Então tem muitos músicos com seus trabalhos independentes, e totalmente à margem do mercado fonográfico por falta de divulgação, porque não cai na Rádio e se não cai na Rádio as pessoas não ouvem e, conseqüentemente, essa pessoa não existe, é um fantasma - tem um trabalho pronto, mas é um fantasma... E como você vê isso? Porque você faz parte de uma geração de quando havia toda essa fertilidade no mercado e se tocava na Rádio - não tinha nada instituído, e isso faz com que a invasão do que vem de fora seja massificado muito mais rapidamente e que hoje passa a ser praticamente uma referência... Hoje o jovem, o garoto de 16/17 anos, ele não tem referência nenhuma de música instrumental porque ele não tem o menor contato com isso... Então eu queria saber tua opinião em relação a isso..
Marcos Ariel - O que entristece no Brasil é ver tudo que a gente lutou, e hoje a situação do Brasil é muito séria, de educação, econômica... Eu vou ha 12 anos aos Estados Unidos, eu tenho Green Card há 10 anos, porque eu tive minha vida lá, já morei, já voltei... E, independente do que está acontecendo no mundo, o Brasil está muito na carona, ficou muito atrás... Esse problema econômico, o problema da educação... É isso que você falou - hoje você pega a garotada, não sabem nada, não têm noção - eu com 16 anos sabia quem era Pixinguinha, quem era o Milton Nascimento, procurava saber quem foi Luiz Eça, Tom Jobim - o tal do Tom Jobim, da Bossa nova... Isso é um problema serissímo, a cultura no Brasil foi se dissipando... O Brasil está com um problema tão grave de educação e economia que eu desanimo... Eu continuo lutando, continuo tocando, estou com a Rob Digital agora, estou no auge da minha carreira no Brasil - e esta é uma contradição, no momento em que estamos falando em crise, estou falando que estou no auge da minha carreira aqui, nunca estive tão bem de CD aqui no Brasil - o disco está em 500 pontos, saindo mídia em tudo que é lugar, saiu na revista Bravo uma crítica maravilhosa, saiu no O Globo quatro estrelas, esse CD com Jean Pierre Zanella, já soube que saiu uma crítica em Porto Alegre, o meu disco do Tom Jobim saiu no Brasil inteiro... Quer dizer, hoje eu vejo as contradições - tem esses pequenos Selos que fazem um trabalho maravilhoso, mas eles também não podem, muitas vezes, pegar os novos, eles precisam cuidar de quem já conseguiu alguma coisa para ter algum acesso... Se eles forem pegar somente pessoas começando também não vão ter como sustentar o trabalho... Então o que está acontecendo hoje em dia, são essas grandes contradições - nós temos um vazio cultural... Você vê as escolas - quem é Pixinguinha? Se você perguntar quem é Pixinguinha ninguém sabe... Quem é Hermeto Pascoal? Quem é Egberto Gismonti? Como eles vão saber quem é Marcos Ariel, quem é Leo Gandelman, Vitor Biglione, Ricardo Silveira, enfim...
Aloizio Jordão - Mas no Estados Unidos se você perguntar para um jovem quem é Louis Armistrong, por exemplo, ele sabe quem é...
Marcos Ariel - Ah, sabe... É a cultura básica do próprio País, eles defendem o que é deles... Então eu acho que o Brasil precisa resolver esse primeiro problema, o econômico e de educar as pessoas...
Aloizio Jordão - Tem uma outra questão que são as Sinfônicas - existe também um esvaziamento sobre isso... E temos como Ministro da Cultura, que é um músico e que já sofreu algum tipo de problema em relação a isso - execução das suas músicas na Rádio, etc. Você acredita que sendo ele músico possa fazer alguma coisa em relação à proporção do que se toca hoje nas Rádios de músicas estrangeiras?
Marcos Ariel - Eu adoraria que fosse feito alguma coisa... Aqui só a Rádio MEC toca, em São Paulo tem a Rádio Cultura, em Brasília tem umas FMs que tocam em alguns programas, mas realmente ficou um vazio, e as coisas ficaram tão difíceis que acaba caindo numa certa mesmisse... Por exemplo, vai voltar o "Projeto Pixinguinha", que parou, que foi uma lástima... Eu me lembro que antes do Pixinguinha parar ia começar o "Pixinguinha Instrumental", que até o Márcio Montarroyos chegou a tocar, a eí parou... Enfim...
E essa coisa de Rádio é muito grave - eu tive um programa na Globo FM por dois anos, onde eu conseguia tocar tudo que eu queria, divulgava bem, mas depois tiveram várias mudanças... É uma teia muito complexa... O próprio Gilberto Gil foi entrevistado no meu programa e ele é uma figura maravilhosa - ele começou o programa me elogiando, ele é um cara que tem uma delicadeza, e sendo quem ele é dá uma esperança muito grande para a gente, das coisas melhorarem, de ter mais campo, não só da MPB, mas das Sinfônicas, dos músicos, do choro... Você vê, eu vou ao Clube do Choro na próxima semana - eles têm um trabalho incrível, o Reco, que coordena aquilo tudo... São 1000 alunos na Escola Rafael Rabelo de choro, que tem um patrocínio...
Acho que cada um tem que fazer alguma coisa - por exemplo, a Rob Digital - eu estou lá, eles estão fazendo, estão distribuindo o Selo na Rádio MEC - eu fiz meu Selo, "Humaitá Music", e agora estou distribuindo só na Rob, não aguentei manter o Selo sozinho... Mas tem que fazer alguma coisa, cada um tem que fazer sua parte
Por exemplo, o espaço que o músico tinha nas casas noturnas, não tem mais - a música não dá dinheiro, dá mais dor-de-cabeça do que dinheiro - então os donos vão vender filé com fritas, que vai dar lucro e não vai dar chatice Então o músico tem que se juntar com outro e fazer uma casa, como eu fiz no Jazz Mania e como eu tocava no Aleph, que era um barzinho que ia polícia, joaninha... Um dia barraram o Ricardo Silveira, isso em 1980... Ricardo me ligou dizendo que foi barrado no meu show porque estava lotado...
Eu fui ao aniversário de dez anos Caroline Café, que é uma referência na noite, e aquele público que estava lá era aquele o que ia nos ver nos anos 80...
Aloizio Jordão - Nós estamos observando agora alguns Festivais, como o de Guaramiranga, por exemplo, lá de Fortaleza, que é feito no Carnaval, que é um projeto belíssimo - inclusive o Mazinho Ventura, baixista, teve o show eleito como o melhor show do Festival, ele com Dino Rangel, e agora o Arthur Maia está promovendo um Festival de Jazz em Niterói - eu acho que Niterói também tem uma outra história em relação à música que o Rio talvez não tenha, que é a coisa do incentivo... A Prefeitura tem um Selo que o músico vai e grava, sai com suas 1500/2000 cópias, mas tem seu CD... Então, em relação aos novos talentos, quem você está ouvindo, quem você ouve?
Marcos Ariel - Eu ouvi o disco do Dino Rangel, que foi da época da Globo FM, o "Café", recebi o CD de um pianista de São Paulo de 26 anos, o André, Super-Áudio CD, uma gravadora que está lançando esse sistema de gravação do Fernando Andretti - fiquei impressionado com o som do André... E eu estou muito impressionado com o choro, o Zé Paulo Becker, o "Tira Poeira", o "Grupo Sarau", que toca na Cobal (Humaitá)... Está havendo um movimento em vários setores, no choro, no instrumental, no próprio jazz, tem músico tocando com linguagem própria... Então a coisa não está parando, acho que as pessoas têm que ter coragem e inventar projetos... Você falou do Festival de Niterói - além de lá ser uma terra de grandes músicos, tem a simpatia do Prefeito - então eu acho que quem quiser fazer alguma coisa, tem que fazer dobrado... Não basta só tocar - eu tive Selo, trabalhei com música e pizza - tive um bar em Visconde de Mauá e depois um em Itaipava, onde fiz um trabalho incrível - os músicos de lá iam dar canja, eu divulgava, vendia CDs...
Aloizio Jordão - Gosto da serra...
Marcos Ariel -É, gosto da serra e do mar - agora estou muito em Búzios, no "Café do Cine Bardot", tenho tocado lá...
Aloizio Jordão - Agora citando também o Festival de Jazz de Rio das Ostras...
Marcos Ariel - Estive lá tocando com Jean Pierre Zanella - maravilhoso o Estênio, que teve essa iniciativa com a Prefeitura - alguém teve essa Luz - poderia ter tudo acabado em pizza ou em samba, somente, e puxou um pouquinho para o lado dos instrumentistas... E eu vi lá, as pessoas amam, tanto as pessoas locais como as pessoas que vão de fora...
Aloizio Jordão - Você chegou a se apresentar para o pessoal da Sociedade Musical de Macaé?
Marcos Ariel - Sim, eu inaugurei quando eles compraram o piano novo - isso há seis anos atrás...
Aloizio Jordão - Com o Fagundes?
Marcos Ariel -É - eu cheguei lá ele tinha meus LPs todos...
Aloizio Jordão -E o Fagundes continua - eu assisti lá o Jovino, levou o Foccus...
Marcos Ariel -É, o Foccus foi lá...
Aloizio Jordão -É, eles levaram os caras...
Marcos Ariel - Eu toquei lá e estou esperando voltar...
Aloizio Jordão - Bom, eu quero voltar um pouco lá atrás - eu sou um apaixonado por "Terra de Índio" acho que foi os dos trabalhos que eu mais ouvi até hoje - tem o "Trem das sete", "Lua branca", umas coisas bem interessantes... Na verdade, você contou com gente da formação da "Banda Zil", o João Batista e o Zé Renato...
Marcos Ariel - O Zé Renato cantou "Lua branca"... Foi antes da Zil...
Aloizio Jordão -É, foi antes da Zil - só para traçar esse paralelo, falar da Zil, mas falar do "Terra de Índio", que já existia - você falou que eles estavam num bar e que você foi só citado...
Marcos Ariel -É, isso foi no Jazz Mania...
Aloizio Jordão - Bom, eu tenho aqui: 81 - "Bambu"; 83 - "Balé Sertanejo"; 83, ainda, com o Grupo Usina, "Malabarista"; 86 - "Cenas Brasileiras"; 88 - "Terra de Índio"; 89 - "Piano Brasileiro"... Bom, e daí para frente...
Marcos Ariel - São 20 trabalhos (Clique aqui e conheça toda a obra de Marcos Ariel no Dicionário Cravo Albin da MPB).
Aloizio Jordão - E agenda?
Marcos Ariel - Esse ano eu já fiz alguns shows de lançamento do disco com o Jean Pierre. Já fizemos o Mistura Fina (no Rio de Janeiro), Brasília, São Paulo, no "Bourbon Street", Rio das Ostras... Esse ano eu não estou fazendo muitos shows, porque eu faço eventos de empresas, gravei um disco novo nos Estados Unidos, um disco New Age novo, o "Conversa com os Anjos II")...
Aloizio Jordão - New Age? Que bacana...
Marcos Ariel -É, lá no mercado New Age, nos Estados Unidos, eu lancei o "Visconde de Mauá" e o "Conversa Com os Anjos", que lá sai numa gravadora new age, em um outro formato, com o nome de Ariell, com dois "eles" - "Conversation With Angels II"...
Aloizio Jordão - Eu me lembro da Mirna Grzich, fazendo aquele programa "Música da Nova Era"...
Marcos Ariel - Uma pioneira... É uma pena ela não ter mais programa...
Aloizio Jordão -É, ela tinha espaço para o programa e tinha público para isso... E a partir da Mirna veio para cá o Andréas, o Sakamoto, Kitajima, uma série de caras que ela apresentou... Está faltando muita coisa, não é, Marcos?
Marcos Ariel -É - Sakamoto sempre aí, Luiz Carlos Saroldi, um dos caras mais importantes da Rádio no Brasil - eu ouvia aqueles programas, o "Música Contemporânea", domingo à tarde, sábado à tarde, ouvia tudo... E depois na JB, fiz vários programas com ele... Eu acho essas coisas muito importantes...
Aloizio Jordão - Você tocou com Kleiton e Kledir, Eliana Pitman... Quem mais você acompanhou?
Marcos Ariel - Toquei com a Zezé Mota, que foi um trabalho ótimo - fizemos o Projeto Pixinguinha, inclusive - e foi aí que conheci o Lula Galvão, Alfredão, do contra-baixo, toquei com o Cartola, Tunai, e só... Logo, logo, já em 86 eu toquei no Free Jazz...
Aloizio Jordão - Marcos, foi um prazer estar contigo, e o Alô vai estar sempre divulgando suas agendas... Aliás, quais as tuas próximas apresentações?
Marcos Ariel - Minha próxima apresentação será no feriado de Corpus Christi, em Búzios, no Cine Bardot - eu conheci dois músicos que moram lá em Búzios, e tem uma rapazeada de lá e de Macaé que têm até uma Associação que tem 70 músicos... E o Milton Nascimento estava nesse final de semana que eu fiz as apresentações, e eu toquei com esses dois rapazes, o Derval e o Alexandre, um baixista e um batera, que o Milton colou com os caras, eles tocam muito... E é um lugar legal, todo final de semana tem shows de música, vão turistas..
Aqui no Rio não rola - vem amigos meus de fora que querem ouvir Bossa nova, etc, não tem, não rola - tem choro, mas um Brazilian Jazz, um instrumental, não tem... Mas em Búzios tem, lá está rolando...
Aloizio Jordão - Marcos, mais uma vez foi um prazer entrevista-lo, muita sorte e tudo de melhor pra você.. Parabéns e obrigado pela entrevista.
Fogo: Paulo Santos
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