CD & DVD :: Atemporal

Luiz Carlos da Vila - "Benzadeus"

É com muito orgulho que a Carioca Discos coloca no mercado o novo disco de Luiz Carlos da Vila.

Benza, Deus. Chegou bem na hora "h" mais um trabalho deste cantor e compositor de tantos sucessos. Depois de um período em que Deus resolveu deixar esse trovador "Das Vilas" (da Penha e Isabel) no "estaleiro", por conta de problemas de saúde, ele volta agora renovado e atualizado nas 14 canções inéditas que compõem o CD.

São parcerias também novas, de um repertório que passa por todo o universo do

Samba: o sincretismo, a negritude, o Samba em si e, principalmente, o amor.

Samba com letra maiúscula, como pensam Luiz Carlos e o produtor-arranjador do disco, o também compositor e violonista Cláudio Jorge.

Neste CD de inéditas Luiz Carlos da Vila se instala confortável e definitivamente entre os maiores poetas da nossa música popular. Poesia pura, sem artifícios, refinada, rica e, pode-se perceber nas primeiras audições deste disco, impiedosamente emocionante. Podem chorar à vontade caros ouvintes.

Completando essa breve análise, os componentes filosóficos contidos nas letras-poemas de Luiz Carlos da Vila estão aqui como um presente de Deus para todos nós apaixonados pelo Samba do Rio de Janeiro. Benza, Deus.

REPERTÓRIO:

01 – Benza, Deus (Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila)

Desta faixa saiu o título do álbum ela reflete todo o espírito das gravações lá no Estúdio Discover. A felicidade e o prazer da participação de todos os músicos nas seções de gravação estão aqui refletidos e esses sentimentos representam a alegria de toda a comunidade do Samba com a vitória de Luiz Carlos da Vila.

Destaque: Participação de Tonico Ferreira, filho de Martinho da Vila, nos atabaques.

02 – Solano, poeta negro ( Zé Luiz, Nei Lopes e Luiz Carlos da Vila)

Este samba é fruto dos encontros destes três parceiros na década de 80, quando curtiam e militavam no Quilombo, núcleo cultural criado por Candeia. É de uma época de sonhos e realizações onde estes sambistas se ocupavam com as teorizações sobre o Samba, a Negritude e propunham, já naquela época, um modelo diferente de organização das Escolas de Samba. Esta chama não se apagou nem se apagará.

Destaque: a cuíca de Ovídio Brito (integrante do grupo "Toque de Prima").

03 – Agulha e dedal

Esta é uma parceria de Luiz Carlos com a nova geração do Samba de São Paulo: Magno e Maurílio, integrantes do grupo "Quinteto em Branco e Preto". São Paulo é uma cidade que recebe o Samba do Rio de Janeiro de forma cada vez mais definitiva e que tem em Luiz Carlos da Vila um de seus maiores ídolos. O Quinteto Branco em Preto contribui para este processo e tem sido o grupo que acompanha Luiz Carlos em shows por lá.

Destaque: o assovio de Cláudio Jorge na introdução e final, inspirado em um distraído assovio de Luiz Carlos enquanto resolviam-se questões da base.

04 – Universo (Riko Dorileo e Luiz Carlos da Vila)

Outra nova parceria. Riko Dorileo, compositor que viveu algum tempo na Europa e que agora retorna ao mundo do Samba nas parcerias com Luiz e também com Noca da Portela. Samba clássico, dolente, envolvente, daqueles que leva longe a imaginação.

05 – Chorando de Saudade (Mauro Diniz e Luiz Carlos da Vila)

Parceria consagrada, Mauro Diniz e Luiz Carlos da Vila fazem mais um gol de placa. As influências de Monarco e da Portela emocionam.

Destaque: o violão de Carlinhos 7 cordas (integrante do grupo "Toque de Prima"), e o pandeiro de Bira Presidente (integrante do grupo Fundo de Quintal).

06 – A cigarra e o Samba (Luiz Carlos da Vila)

Música e letra onde Luiz Carlos coloca mais um pensamento seu sobre o Samba e que tem nos versos "O samba suplanta, é o vinho que bebe o herege e o frade", um de seus pontos altos.

Destaque: Os violões de Cláudio Jorge: um num estilo ponteado, meio João da Baiana e um outro, de base, fazendo uma batida de Samba das mais tradicionais. A mesma idéia foi utilizada por este violonista na faixa seguinte.

07 – Vem pra roda sambar (Bira da Vila e Luiz Carlos da Vila)

Mais uma nova parceria, Bira é da Vila tal qual a Luiz Carlos, só que da Vila São Luiz, em Caxias. Particularmente nesta faixa, a "cozinha" sacode a poeira convidando todo mundo a afastar os móveis e cair dentro. Mais um depoimento de reverência ao Samba saído da "caneta nervosa" de Luiz Carlos da Vila, como diria Nei Lopes.

Destaque: como não podia deixar de ser, a aula de percussão dada por Beloba, Esguleba, Gordinho, Bira Presidente e Ubirany.

08 – Pra conquistar teu coração (Wanderley Monteiro e Luiz Carlos da Vila)

A emoção dos que participaram desta faixa tomou conta da seção de gravação por conta da bela melodia de Wanderley Monteiro e do refinamento poético da letra de Luiz Carlos da Vila: "e num xaxim eu vou plantar um baita de um jequitibá e enraizar mesmo sem chão".

Destaque: as performances de Mauro Diniz (cavaquinho) e Humberto Araújo (Sax tenor).

09 – Rara (Nelson Sargento e Luiz Carlos da Vila)

Mais uma bela e merecida homenagem que se faz a Dona Ivone Lara. Dessa vez pelas mãos de Mestre Nelson Sargento em parceria com Luiz Carlos. O clima delicado de regional respeita e sublinha a melodia de Nelson, nos remetendo para um ambiente de serestas e Samba-canção. Tudo para homenagear um ídolo de todos os sambistas.

Destaque: emocionantes os solos de Mauro Diniz (cavaquinho) e Dirceu Leite (clarinete).

10 – Ao nosso amor maior (Wilson das Neves e Luiz Carlos da Vila)

Este Samba é impar por vários aspectos. O encontro de Luiz com Wilson das Neves já é um presente em si que já foi consagrado em Samba gravado por Zeca Pagodinho (Os papéis). A melodia de Wilson, sempre de muito bom gosto, pegou em cheio a inspiração de Luiz Carlos que aproveita o tema para homenagear três grandes músicos dos estúdios cariocas: Luna, Marçal e Eliseu.

Destaque: a impecável interpretação de Luiz Carlos da Vila, respeitando intervalos inusitados da melodia de Wilson, com direito a subida de tom e tudo mais. A caixeta de Ubirany e o tamborim de Marçalzinho, filho de Marçal, completam o clima.

11 – Em nome do amor (Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila)

Mais uma parceria da dupla de amigos. Dessa vez, um Samba de quadra começado há alguns anos e concluído em Camboinhas durante a recuperação de Luiz Carlos. Cláudio Jorge, também produtor e arranjador do disco anterior de Luiz, "A luz do vencedor", consolida o projeto começado naquele trabalho. Trouxe para o disco da Carioca a mesma base de músicos que utilizou no outro trabalho, acrescentou alguns novos elementos e fez os arranjos privilegiando a exposição dos sambas inéditos. Parceiros e amigos que dão a maior liga.

Destaque: o solo de Carlinhos 7 cordas no final da faixa.

12 – Como eu te quero bem (João Nogueira e Luiz Carlos da Vila)

Parceria inédita de Luiz Carlos e João Nogueira guardada com carinho ao longo dos anos. Samba dolente, de amor, que provoca imediatamente a memória lembrando-nos de João Nogueira, o "Boca larga" lá do Méier.

Destaque: o repique seguro de Marcelinho Moreira, integrante do grupo "Toque de prima".

13 – Duas saudades (Luiz Carlos da Vila)

Mais uma música e letra de Luiz Carlos da Vila onde o jogo de palavras nos envolve em visões filosóficas e amorosas, marcas do trabalho de Luiz, mestre em provocar reflexões em quem o ouve. "Deus deixou na saudade dizer se a saudade tem cura".

Destaque: o coro feminino responsável por todo o disco, formado pelas estrelas do Samba: Analimar Ventapani, Dorina, Martnália e as meninas d'O Roda (Ana Costa e Bianca Calcagni).

14 – A luz do axé (Luiz Carlos da Vila e Gilmar Simpatia)

Samba guerreiro em parceria com Gilmar Simpatia, um dos novos parceiro de Luiz, que encerra o disco em alto astral. Final de disco em clima altamente positivo para Luiz Carlos, que sem dúvida, vive hoje um dos grandes momentos de sua vida e de sua carreira. Benza, Deus.

Destaque: as intervenções dos metais de Humberto Araújo e Dirceu Leite

CONSIDERAÇOES FINAIS:

O disco Benza, Deus de Luiz Carlos da Vila é mais uma homenagem da Carioca Discos ao Rio de Janeiro e ao Samba carioca. No acabamento gráfico de Pablo Moura, no apuro técnico de Guilherme Reis e Rodrigo Lopes, na arte das fotos de Bruno Veiga e na supervisão de produção de Paulinho Albuquerque, a Carioca procura mais uma vez tratar o Samba e seus artistas com o maior respeito e a dignidade que o gênero merece, e ter utilizado mais um ponto turístico dessa cidade (Igreja da Penha) para locação das fotos é mais um gesto de carinho da nossa parte com a Cidade Maravilhosa.

Copyright © 2001-2009 Alô Música
Todos os direitos reservados
publicado por HTDocs